Eu estava no super-mercado, a comprar o que nestas bandas chamam por "cibo da single" (comida de solteiro), como já é habitual. Quando chego na caixa, na hora do pagamento, deparo-me com uma senhora muito mal humorada, mal disposta e aparentemente zangada com a vida. A senhora olhava para todos os que a rodeavam com desgosto. Mas isso nem me surpreendeu, porque pessoas como ela encontro quotidianamente. A surpresa surgiu quando a senhora olhou para dois cães que estavam na porta a espera do proprietário, e a sua cara suavizou-se! De repente, foi como se a senhora tivesse visto dois anjos na porta. Tornou-se mansa, alegre, e fazia questão de acarinhá-los. E aí cheguei a conclusão que neste mundo está mais fácil amar aos animais que aos homens.
Tente entrar num bar com os bebés num carrinho de crianças, e verás o desconforto na cara dos presentes. Tente depois entrar com uma velhinha num carro de rodas, e verão a mesma cara de desconforto. Agora entre com um cão, e verás se todos não estarão com uma cara de alegria e simpatia incontrolada!
O facto é que hoje em dia as pessoas preferem amar aos cães que aos seres humanos. E posso até dizer o porquê: nos cães as pessoas encontram a atenção e o afecto que nos seres humanos não encontram; nos cães não encontram a contínua competição mortal, a rivalidade quotidiana; com os cães não existe o desafio sobre quem vestiu mais, quem é mais inteligente, mais rico, mais bonito... e o elenco pode continuar ad libitum. E é o facto de vermos o nosso próximo como nosso inimigo que nos leva a preferirmos os cães, os gatos e outros animais, que o próprio ser humano.
Obviamente não sou contra o amor aos animais. Acho que os animais devem ser amados e cuidados, mas acho errado essa contínua tentativa de humanização os animais domésticos. É tudo uma questão de prioridades. Quando chegamos ao ponto de, ao superar os trinta anos, preferimos ter um animal doméstico do que um filho, acho que estamos a caminhar para o caminho errado.
Esse discurso certamente é válido somente para aos que vivem no ocidente, se bem que alguns casos do género já pude constatar em Angola.
Ficaria contente se visse o mesmo amor que dedicamos aos animais a ser dedicado também aos nossos similares, sobretudo aos bebés e aos idosos. Ou melhor, gostaria mesmo que o amor que dedicamos aos bebés e aos idosos fosse superior. Existe tanta gente boa por aí para se amar!
D.M.



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