Hoje, 29 de Agosto de 2012, termina o período de campanha eleitoral por parte dos partidos concorrentes nestas eleições gerais. Acho portanto que seja pertinente uma analise de tudo aquilo que fez-se até hoje.
Começando a afirmar que, pelos menos partindo da visão de alguém do exterior, os únicos partidos que realmente fizeram campanha, sao o MPLA, a UNITA, a CASA-CE, o PRS e a FNLA. Todos os outros (PAPOD, CPO, Nova Democracia, etc) nao se fizeram sentir, e das poucas vezes em que se ouviu alguma coisa sobre eles, foram somente elogios ao MPLA, o que faz presumir que sejam somente partidos criados e apoiados pelo MPLA, somente para "fazer número". Talvez.
Surpreendeu-me a campanha do MPLA, que agiram bastante no terreno, sebem que a campanha destes ficou manchada com vários elementos que ilegalmente jogaram a seu favor, como o exagero da mìdia na retratação do assuntos relativos ao MPLA, o uso de meios públicos para campanha eleitoral do MPLA, o conflito de interesses, uma vez que o candidato do MPLA desempenhava ao mesmo tempo as funções de Presidente como aquela de candidato, deixando assim o cidadão sem saber quanto está a agir numa ou na outra função. Em suma, todos esses factores certamente influenciarão no resultado final, manchando assim uma campanha eleitoral que a meu ver foi muito bem programada e executada.
A UNITA fez igualmente um excelente campanha eleitoral, onde Samakuva liderou comitivas que deslocaram-se por quase todas as províncias, fazendo discursos e juntando uma imensidão de seguidores. O erro da UNITA, segundo o meu ponto de vista, foi ter se deixado amedrontar demais pelos fantasmas de 2008, onde perderam por uma percentagem esmagadora de 82% do MPLA, alegando que este fez recurso a fraude eleitoral para a obtenção de tal percentagem. Os acontecimentos de 2008 mexeram bastante com a UNITA, e com o medo de perder novamente por fraude, concentraram as próprias atenções nas movimentações da Comissão Nacional Eleitoral, de modos com que esta faça tudo segundo a lei. Essa obsessão da UNITA pelo respeito da lei por parte da CNE fez com que a o partido muitas vezes, nos seus discursos, deixasse de fazer aquilo que se deve fazer numa campanha eleitoral, que é explicar o próprio programa de governo ao povo. Através disso a UNITA durante a campanha fez fortes acusações a CNE, convocou manifestação, conferências de imprensa, etc, de modos a manifestar o próprio descontentamento. Essas atitudes sao justas, mas creio que a UNITA exagerou um pouco, concentrando-se mais em acusar, em vez demonstrar concretamente o que pretende fazer caso ganhe as eleições. Os últimos discursos de Isaias Samakuva demonstram isto.
De qualquer modo, a UNITA fez uma campanha eleitoral bastante eficaz, que certamente terà repecursoes positivas no dia 31.
A CASA-CE também fez uma excelente campanha eleitoral, ao estilo americano, envolvendo a própria família, algo deveras arriscado no território angolano. Apesar de ser uma organização nova, com menos de um ano de vida, esta coligação provocou um impacto muito positivo na sociedade angolana, conseguindo juntar os descontentes da UNITA e os descontentes do MPLA numa sò organização.
Abel Chivukuvuku conseguiu convencer um numero bastante elevado de cidadãos com os seus discursos e com a sua firme postura, sobretudo ao fazer-se acompanhar nesta "aventura" pelo ex membro das Forças Armadas Angolana, o Almirante Mendes de Carvalho "Miau", filho de uma figura de renome do MPLA.
O principal erro que posso apontar nessa coligação é o de ter usado pouco os meios de comunicação modernos, como os social network, e a internet em geral. Acho que a campanha poderia ser ainda melhor sucedida se fosse mais activa na internet, como foi a UNITA ou o MPLA.
Jà nao existem dúvidas de que a CASA-CE serà a grande surpresa destas eleições, surpresa que pode ser ainda mais surpreendente do que muitos podem imaginar. Mas para evitar comentários superficiais e supérfluos, convém dar a palavras aos resultados do dia 31.
O PRS de Eduardo Kwangana e a FNLA de Lucas Ngonda fizeram a típica campanha de um partido da oposição, acusando e realçando os erros do partido no poder e prometendo mudanças, caso sejam eleitos. Mas acredito que estes dois partidos estão convictos da quase impossível eventualidade de ganharem as eleições, o que faz com que concentrem os próprios objectivos na conquista de alguns lugares no Parlamento. Esta realidade fez com que estes partidos, assim como as outras coligações, fizessem uma campanha eleitoral de menor dimensão, com um menor impacto social.
Deste modo, sò resta esperar o dia 31 de Agosto de 2012, quando os mais de nove milhões de angolanos recorrerão às mesas de voto para exercerem o próprio direito de voto.
Muito honestamente, e esta é uma opinião muito pessoal de um cidadão neutro, acho que o MPLA ganhará as eleições, devido a melhor organização e aos factores que citei acima. Os outros partidos terão mais chances de ganhar nas próximas eleições, mas nesta, feliz ou infelizmente, creio que serà o MPLA a ganhar. Mas muitas surpresas ainda se podem verificar, portanto, convém seguir atentamente.
D.M.

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